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Nov 09

Devíamos talvez ter adormecido um no outro,

e enquanto dormíssemos,

enquanto fôssemos inócuos,

deixássemos que o tempo

se esvaísse de nós.

Porque passavas a vida a morrer-me,

habituei-me a amar os teus longes olhos

imersos nas trevas,

enquanto assistíamos,

quietos, ilúcidos,

ao cortejo fúnebre do nosso amor.

Devíamos talvez ter morrido um no outro,

e enquanto morrêssemos,

enquanto fôssemos cadáveres,

deixássemos que o tempo

se arrependesse de nós.

Porque passava a vida a amar-te a morte,

tu criaste o hábito de não me existires,

serenamente dissimulada,

enquanto assistíamos,

quietos, ilúcidos,

ao cortejo fúnebre do nosso amor.

Devíamos talvez ter crescido um no outro,

e enquanto crescêssemos,

enquanto fôssemos vingando,

deixássemos que o tempo

tomasse conta de nós.

publicado por nanferdinan às 16:47

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