05
Nov 09

Devíamos talvez ter adormecido um no outro,

e enquanto dormíssemos,

enquanto fôssemos inócuos,

deixássemos que o tempo

se esvaísse de nós.

Porque passavas a vida a morrer-me,

habituei-me a amar os teus longes olhos

imersos nas trevas,

enquanto assistíamos,

quietos, ilúcidos,

ao cortejo fúnebre do nosso amor.

Devíamos talvez ter morrido um no outro,

e enquanto morrêssemos,

enquanto fôssemos cadáveres,

deixássemos que o tempo

se arrependesse de nós.

Porque passava a vida a amar-te a morte,

tu criaste o hábito de não me existires,

serenamente dissimulada,

enquanto assistíamos,

quietos, ilúcidos,

ao cortejo fúnebre do nosso amor.

Devíamos talvez ter crescido um no outro,

e enquanto crescêssemos,

enquanto fôssemos vingando,

deixássemos que o tempo

tomasse conta de nós.

publicado por nanferdinan às 16:47

Dir-te-ia

que me levasses daqui

para longe, tão longe de ti,

se eu não fugisse de mim

para perto, tão perto daqui.

(Que nestas manhãs acordadas cedo

te ausentas do meu poema

e do meu corpo

para longe, tão longe

dos lugares comuns

ao nosso amor.)

publicado por nanferdinan às 16:38

Naquele tempo, os teus lábios frequentavam os meus beijos e éramos serpentinos, longos, intermináveis. Lembro-me às vezes de como te sabias minha, tão só minha como a pele dos meus lábios frequentes nos teus beijos. Naquele tempo, lembro-me às vezes, o desejo exilava-se nas metástases do nosso amor e era um passageiro frequente dos teus lábios nos meus beijos serpentinos, longos, intermináveis. Ah, como te sabias minha naquele tempo em que os teus lábios frequentavam as metástases do nosso amor. Ah, como morreram, frequentes, os teus lábios nos meus beijos. Como morreram longos e serpentinos, longos e intermináveis, naquele tempo.

publicado por nanferdinan às 16:33

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