27
Jul 09

Sombra quieta, deusa

dos meus ermos,

guardo-te para uma emergência.

Esse de mim que tu habitas

e consolas

abre-me sulcos na alma.

E ri-se.

 

 

 

 

 

publicado por nanferdinan às 14:14

24
Jul 09

Agora que não te amo,

posso dizer-te onde te amei:

amei-te ao fundo dos teus olhos

- a fugir

de que me visses -,

aquietado nas cinzas

que tepidamente cobriam

a praia da tua alma.

publicado por nanferdinan às 15:10

23
Jul 09

Jó dormia e acordava, vinha a mãe e Jó dormia, saía a mãe e despertava. Jó sorria, se a via. Ou Jó chorava, se se ia. E a noite longa longa. A não passar. Nem a mãe a dormir nem Jó a nanar. Tem chichi? Tem cocó? Quer maminha? Estava seco, sem fominha, Jó só queria companhia. Mas a mãe saía no oó de Jó. E Jó não queria que ela se fosse, um olho aberto, outro fechado, um meio a dormir, outro meio acordado. Jó via o milagre da mãe. Que a mãe existia se ele chorava, se ele dormia a mãe já não estava. Gostava do jogo da mãe a aparecer. Uaaá, e lá vinha ela, e de cada vez vinha mais desgrenhada. A correr, a correr, e corria por nada, porque Jó lhe sorria e a mãe serenava. E Jó dormia e acordava, a mãe ia e vinha e Jó ia e vinha e a mãe não dormia e Jó não nanava. Gostava do jogo e a mãe não gostava, e Jó não sabia, não sabia de nada. Jó só sabia que a mãe existia se estava acordada. Quando era embrião, ela adormecia e ele dormia sem dar por nada. E agora ela ia e ele ficava. E ele não queria. Ele não queria e por isso chorava.

publicado por nanferdinan às 14:45

21
Jul 09

Onde tu começas, termina o meu cigarro.

Que bom poder apagar-te agora,

esmagar-te agora,

destruir-te agora em cinzas,

e ter-te ainda a fumegar,

lenta, ah tão lenta,

entre os meus dedos viciados.

publicado por nanferdinan às 16:17

15
Jul 09

Acabo de chegar

de onde fui

esquecer-me de ti.

Quem és tu, quem és?

 

publicado por nanferdinan às 09:47

10
Jul 09

Podiam queimar-te os olhos

os meus beijos, podiam,

e eu ficar com lábios tristes.

Mas como dizer-te depois

a alegria

de te ter estremecida

a ondear sobre o meu peito? 

publicado por nanferdinan às 15:21

08
Jul 09

Sabes-me bem,

sabes-me a dentro de ti.

Existes-me

no céu da boca:

onde ficas tu,

porto desta memória

encantada?

publicado por nanferdinan às 15:09

07
Jul 09

Se te dissolvesses em mim, meu amor, e te afundasses nos meus abismos, havias de encontrar um lugar perdido dos dois. Não me vás tão longe, mulher. Ama-me sobre a pele, a pouco e pouco, docemente, na planície do desejo. Se me fosses possível no sangue, meu amor, eu não te amava.

publicado por nanferdinan às 06:58

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