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Out 09

Devíamos talvez ter adormecido um no outro,

e enquanto dormíssemos,

enquanto fôssemos inócuos,

deixássemos que o tempo

se esvaísse de nós.

Porque passavas a vida a morrer-me,

habituei-me a amar os teus longes olhos

imersos nas trevas,

enquanto assistíamos,

quietos, ilúcidos,

ao cortejo fúnebre do nosso amor.

Devíamos talvez ter morrido um no outro,

e enquanto morrêssemos,

enquanto fôssemos cadáveres,

deixássemos que o tempo

se arrependesse de nós.

Porque passava a vida a amar-te a morte,

tu criaste o hábito de não me existires,

serenamente dissimulada,

enquanto assistíamos,

quietos, ilúcidos,

ao cortejo fúnebre do nosso amor.

Devíamos talvez ter mirrado um no outro,

e enquanto mirrássemos,

enquanto fôssemos esvanecendo,

deixássemos que o tempo

existisse sem nós.

publicado por nanferdinan às 14:59

3 comentários:
Já ouço uns acordes lá no fundo ;) gostei mesmo muito, mas também gosto do final feliz... não o publicas?
Demian a 20 de Outubro de 2009 às 14:09

Que deleite! Agora quero lê-lo num livro e guardá-lo na minha estante. Abraço primaço!
Anónimo a 28 de Outubro de 2009 às 16:16

Brutal ***

K o tempo passasse sem nos :D
seilá a 2 de Novembro de 2009 às 01:07

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