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Jul 09

Jó dormia e acordava, vinha a mãe e Jó dormia, saía a mãe e despertava. Jó sorria, se a via. Ou Jó chorava, se se ia. E a noite longa longa. A não passar. Nem a mãe a dormir nem Jó a nanar. Tem chichi? Tem cocó? Quer maminha? Estava seco, sem fominha, Jó só queria companhia. Mas a mãe saía no oó de Jó. E Jó não queria que ela se fosse, um olho aberto, outro fechado, um meio a dormir, outro meio acordado. Jó via o milagre da mãe. Que a mãe existia se ele chorava, se ele dormia a mãe já não estava. Gostava do jogo da mãe a aparecer. Uaaá, e lá vinha ela, e de cada vez vinha mais desgrenhada. A correr, a correr, e corria por nada, porque Jó lhe sorria e a mãe serenava. E Jó dormia e acordava, a mãe ia e vinha e Jó ia e vinha e a mãe não dormia e Jó não nanava. Gostava do jogo e a mãe não gostava, e Jó não sabia, não sabia de nada. Jó só sabia que a mãe existia se estava acordada. Quando era embrião, ela adormecia e ele dormia sem dar por nada. E agora ela ia e ele ficava. E ele não queria. Ele não queria e por isso chorava.

publicado por nanferdinan às 14:45

4 comentários:
e o nosso Ego constrói-se ao longo dos anos nessa mesma dialéctica que descreves tão bem. Texto belo e de uma sensibilidade psicológica profunda.
Parabéns Nando, gosto de te ver a dar passos nesses abismos do espírito ;)
Demian a 23 de Julho de 2009 às 16:59

boa paizolas, belo texto real de um pai que passou por isto com os 3 filhos..:P

ah ah ah

love u

bmm a 23 de Julho de 2009 às 21:21

AMO TE PAIZÃO 'MAI' LINDOO DO MUNDO



BEIJOS**



nOcas
ines a 1 de Setembro de 2009 às 16:59

É um gosto de um tamanhão ler-te!!!

Fernanda
Anónimo a 24 de Setembro de 2009 às 10:35

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